domingo, 7 de setembro de 2008

Noite há-de chegar....

A noite há-de chegar, com ela maravilhosas luas, não sei se espero cada noite para sentir o tempo acelerar!?
Questiono-me acerca desta pressa, esta ansiedade que, por vezes se torna aos olhos dos outros, insuportável... Não lido com a manhã, com a tarde... Sou apenas um fantasma nestas horas de espera....
Fim da tarde é nostálgico, a noite, noite é mistério, é segredo, é verdade e nela só entra quem eu permitir....
Onde melhor consigo sentir este prazer que a noite produz, é no enigmático som das aldeias, ou no profundo som das ondas, onde só vagueiam os fantasmas, onde os cheiros, as brisas, as cores, a Lua e as estrelas batem nos pinheiros altos, ou no misterioso mar e desta forma iluminam a noite clara dos amantes... Aquela noite de silêncios... a noite, o espelho sagrado do nosso vazio, da nossa essência....!
Outro dia olhava as estrelas, o céu e imaginava os outros planetas, ouvia ao fundo o bravo mar e sentia aquela paz dificil de alcançar, sentia que o tempo, o espaço, eu, tudo era parte de mim, sentia o vazio, preenchido, mas vazio, o meu vazio.... Consegui de uma maneira transcendente elevar parte de mim até ao pico da minha serenidade, consegui, alumiada apenas pelas brasas do que em tempo foi fogo vivo, adormecer, apenas adormecer, num suspiro de alivio!!
Senti-me nesse momento parte de um povo sem tecto que adora a noite, a simplicidade e que tal como eu troca o conforto de uma noite de hotel, pela serenidade e energia de um chão de areia húmido.... Um momento simples e divino....
Certas pessoas vivem á espera de cada novo dia, eu... vivo á espera de cada nova noite... como aquela....

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